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Uma Breve História da Associação Brasileira de Trompetistas: 2008-2018

Heinz Karl Schwebel

Em 2008, durante uma visita à cidade de Volta Redonda no Rio de Janeiro para encontrar o Prof. Charles Schlueter, com quem havia estudado durante meu Mestrado e Doutorado nos Estados Unidos, e que lá estava, a convite do Prof. Nailson Simões, para ministrar uma semana de aulas no âmbito do projeto Volta Redonda Cidade da Música, criado por Nicolau Martins de Oliveira, tive a oportunidade de encontrar e trocar ideias com alguns amigos trompetistas, entre eles Cicero Cordão, Arthur Fernandes e Emerson Araújo!

Durante essa conversa, externei a eles minha ideia de formarmos um grupo de amigos trompetistas que conseguisse, através de sua união, ganhar autonomia e independência para realizar encontros onde pudéssemos desenvolver atividades artísticas e pedagógicas relacionadas ao trompete. A dificuldade em se conseguir apoio de instituições formais para a organização de eventos artísticos era uma das minhas frustrações à época, e o que me levou a pensar em alternativas para enfrentar o problema. A ideia foi muito bem recebida por todos os presentes àquela mesa de bar – ah, De Masi e seu Ócio Criativo – e senti que havia uma chance de que aquilo pudesse dar em alguma coisa.

Entusiasmado com aquela conversa em Volta Redonda, ao retornar a Salvador escrevi a um grupo maior de amigos um e-mail onde propunha a criação desse grupo. As conversas evoluíram rapidamente, com discussões e sugestões de todos os destinatários daquela primeira mensagem, até que propusemos a criação da Associação Brasileira de Trompetistas - ABT, com data marcada para se concretizar: novembro de 2008, durante o I Encontro Internacional da ABT, em Londrina, Paraná!

Uma preocupação que norteou sua criação desde o primeiro momento, foi a garantia de que a ABT buscasse representar todas as vertentes, filosofias, ideais e pensamentos a cerca do trompete, seu tocar, seu ensinar e seu apreciar. Ela não deveria concentrar-se em nenhuma preferência, nenhum estilo em particular, nenhum artista específico. Mas deveria buscar oportunizar que todas as preferências fossem, eventualmente, contempladas em suas atividades. Propus, então, uma missão para nortear a ABT em suas ações:

“Promover a integração dos trompetistas brasileiros através do incentivo à performance, pedagogia e produção de literatura ligada ao trompete, mantendo como princípio o respeito à diversidade e à pluralidade de ideias e estilos”.

O Primeiro Encontro em Londrina foi uma amostra do que poderíamos nos tornar. Um grupo heterogêneo, de perfis os mais variados, mas que conseguiu, rapidamente, estabelecer uma atmosfera de companheirismo, amizade, respeito e alegria. Começamos com um susto, é verdade! Um de nossos primeiros dois convidados internacionais, Paul Merkelo, da Sinfônica de Montreal, não conseguiu embarcar para o Brasil por conta de um problema com o Visto, e tivemos como único representante de nossa internacionalidade naquele ano, alguém que iniciava sua carreira internacional, e viria a se tornar um fenômeno do trompete mundial, além de um querido amigo. Francisco Pacho Flores foi o primeiro trompetista estrangeiro a vivenciar a atmosfera da ABT.

Desde então, conseguimos realizar, em onze anos, dez Encontros Internacionais, que trouxeram ao Brasil alguns dos maiores expoentes do trompete mundial, em suas diversas especialidades. Da música sinfônica ao Jazz, passando pelo solista erudito tradicional, estiveram no Brasil, além do já mencionado Pacho Flores, Charles Schlueter Solista da Sinfônica de Boston; Mireia Farrés, Solista da Sinfônica de Barcelona; Yatzek Manzano, Jazzman de Cuba; Gabrielli Cassone, Professor e Solista internacional Italiano; Rex Richardson, Solista Internacional Americano; Jorge Almeida, Solista da Sinfônica de Lisboa; Adam Rapa, Solista Internacional Americano; Ole Edward Antonsen, Solista Internacional Norueguês; Andrea Giufredi, Solista Internacional Italiano; Reinhold Friedrich, Solista Internacional Alemão; Giulianno Sommerhalder, Solista Internacional Suíço; Dr. Kim Dunnik, Professor Americano e Presidente da ITG; Fernando Ciancio, Solista da Orquestra Sinfônica do Teatro Colón – Buenos Aires; Eric Berlin, Professor Americano e membro do Empire Brass Quintet; Russel DeVuyst, Orquestra Sinfônica de Montreal; Amik Guerra, Jazz-man Cubano; Claudio Roditti, Jazz-man brasileiro radicado nos EUA; David Krauss, Solista do Metropolitan Opera de Nova Iorque; Jason Bergman, Professor Americano; Jeroen Berwaerts, Solista Internacional Belga; Matthew Sonneborn, Orquestra Sinfônica de Naples, Florida.

Foram convidados especiais da ABT os brasileiros Fernando Dissenha, Altair Martins, Daniel de Alcântara, Jessé Sadoc, Moises “Paraíba” Alves, Nailson Simões, Heinz Karl Schwebel, Ayrton Benck, Fabinho Costa, Joatan Nascimento, Paulo Ronqui, Flávio Gabriel, Amarildo Nascimento, Glaucio Xavier, Maico Lopes, Marco Xavier, entre outros.

Desde seu primeiro encontro em Londrina, a ABT circulou por várias cidades brasileiras, marcando sua opção por descentralizar sua atuação e atingir o maior número possível de brasileiros, apesar das dificuldades logísticas decorrentes dessa escolha. Salvador, Tatuí, Curitiba, Vitória, São Leopoldo, Guarulhos, Natal e João Pessoa foram sedes de um ou mais encontros.

Estiveram à frente da ABT nesses onze anos os seguintes presidentes: Fernando Dissenha; Marco Xavier; Thadeu J. Silva e Heinz Karl Schwebel, auxiliados, respectivamente, pelos Vice Presidentes Daniel De Alcântara, Paulo Ronqui, Heinz Karl Schwebe, Jorge Scheffer e Cícero Cordão.

Vários outros amigos integraram a sua Diretoria em algum momento. Entre eles Antônio Francisco Sales Padilha, João Martins, Pedro Santos, Fábio Souza, Robson Adabo, Flavio Gabriel, Jorge Scheffer.

Durante a gestão de Thadeu J. Silva a ABT aproximou-se da International Trumpet Guild – ITG, a maior associação internacional de trompetistas, sediada nos EUA, e tornou-se apenas o segundo Affiliated Chapter desta instituição no Brasil. O primeiro foi a já extinta Associação de Trompetistas do Brasil - ATB. Naquela gestão também, esta parceria se solidificou através da gravação pela ABT para o ITG, do CD Trumpets of Brazil. Produzido por Thadeu J. Silva e este que vos escreve, este CD é um marco na história do trompete brasileiro por ter reunido um grande número de trompetistas brasileiros destacados, gravando obras de compositores brasileiros, algumas delas inéditas, e tendo sido distribuído por todo o mundo através do ITG. A ABT conseguiu, em pouco tempo, projetar a música para trompete nacional, e os trompetistas brasileiros, ao mundo.

O último Encontro da ABT ocorreu há poucos meses na cidade de João Pessoa, em comemoração aos trinta anos da primeira visita do Prof. Charles Schlueter ao Brasil. O encontro foi mais um capítulo feliz na história da ABT, e prestou uma justa homenagem a um professor que teve enorme influência no Brasil, e em muitos dos trompetistas fundadores da ABT.

Inaugura-se agora, um novo momento na ABT, com uma grande renovação de sua diretoria e uma nova geração de trompetistas que, sob a Presidência de Flavio Gabriel, assumem a responsabilidade de levar adiante, e a patamares ainda mais altos, uma iniciativa que parecia ingênua em sua Gênesis, mas que se mostrou importante, eficiente e competente em seus propósitos, respeitosa de sua missão, agregadora de pessoas, e que conseguiu projetar seu trabalho internacionalmente.

Esse breve relato daquilo que aconteceu até aqui está acabando, mas a história da ABT, espero eu, ainda terá muitos capítulos. Ela entra na adolescência já madura, e pronta para receber a todos os que dela queiram se aproximar.

Por: Heinz Karl Schwebel